quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

História

História (do grego antigo historie, que significa testemunho, no sentido daquele que vê) é a ciência que estuda o Homem e sua ação no tempo e no espaço, concomitante à análise de processos e eventos ocorridos no passado. Por metonímia, o conjunto destes processos e eventos. A palavra história tem sua origem nas «investigações» de Heródoto, cujo termo em grego antigo é στορίαι (Historíai). Todavia, será Tucídides o primeiro a aplicar métodos críticos, como o cruzamento de dados e fontes diferentes.

O estudo histórico começa quando os homens encontram os elementos de sua existência nas realizações dos seus antepassados. Esse estudo, do ponto de vista europeu, divide-se em dois grandes períodos: Pré-História e História.

Os historiadores usam várias fontes de informação para construir a sucessão de processos históricos, como, por exemplo, escritos, gravações, entrevistas (História oral) e achados arqueológicos. Algumas abordagens são mais frequentes em certos períodos do que em outros e o estudo da História também acaba apresentando costumes e modismos (o historiador procura, no presente, respostas sobre o passado, ou seja, é influenciado pelo presente). (veja historiografia e História da História).

Os eventos anteriores aos registos escritos pertencem à Pré-História e às sociedades que co-existem com sociedades que já conhecem a escrita (é o caso, por exemplo, dos povos celtas da cultura de La Tène) pertencem à Proto-História.

Características

O feudalismo tem suas origens no século IV a partir das invasões germânica (bárbaras) ao Império Romano do Ocidente (Europa).

As características gerais do feudalismo são: poder descentralizado, economia baseada na agricultura de subsistência, trabalho servil e economia amonetária e sem comércio, onde predomina a troca (Escambo).

Tudo isso só será modificado com os primeiros indícios das Revoluções Burguesas.

Origem do Feudalismo

Com a decadência e a destruição do Império Romano do Ocidente, por volta do século V d.C. (de 401 a 500), em decorrência das inúmeras invasões dos povos bárbaros e das péssimas políticas econômicas dos imperadores romanos, várias regiões da Europa passaram a apresentar baixa densidade populacional e ínfimo desenvolvimento urbano. A partir do século V d.C., entra-se na chamada Idade Média, mas o sistema feudal (Feudalismo) começa na França e passa somente a vigorar em alguns países da Europa Ocidental a partir doséculo IX d.C., aproximadamente.

O esfacelamento do Império Romano do Ocidente e as invasões bárbaras, ocorridas em diversas regiões da Europa, favoreceram, sensivelmente, as mudanças econômicas e sociais que vão sendo introduzidas e que alteraram completamente o sistema de propriedade e de produção característicos da Antiguidade principalmente na Europa Ocidental. Essas mudanças acabam revelando um novo sistema econômico, político e social que veio a se chamar Feudalismo. O Feudalismo não coincide com o início da Idade Média (século V d.C.), porque esse sistema começa a ser delineado alguns séculos antes do início dessa etapa histórica (mais precisamente, durante o início do século IV), consolidando-se definitivamente ao término do Império Carolíngio, no século IX d.C.

Em suma, com a decadência do Império Romano e as invasões bárbaras, os nobres romanos começaram a se afastar das cidades levando consigo camponeses (com medo de serem saqueados ou escravizados). Já na Idade Média, com vários povos bárbaros dominando a Europa Medieval, foi impossível unirem-se entre si e entre os descendentes de nobres romanos, que eram donos de pequenos agrupamentos de terra. E com as reformas culturais ocorridas nesse meio-tempo, começou a surgir a idéia de uma nova economia: o feudalismo.

Sociedade

A sociedade feudal era composta por três estamentos (três grupos sociais com status fixo): os Nobres (guerreiros), o Clero (religiosos), e os servos (mão de obra). O que determinava o status social era o nascimento. Havia também a relação de suserania entre os Nobres, onde um nobre (suserano) doa um feudo para um outro nobre (vassalo). Apresentava pouca ascensão social e quase não existia mobilidade social (a Igreja foi uma forma de promoção, de mobilidade).

§ O clero tinha como função oficial rezar. Na prática, exercia grande poder político sobre uma sociedade bastante religiosa, onde o conceito de separação entre a religião e a política era desconhecido. Mantinham a ordem da sociedade evitando, por meio de persuasão e criação de justificativas religiosas, revoltas e contratações camponesas.

§ A nobreza (também chamados de senhores feudais) tinha como principal função a de guerrear, além de exercer considerável poder político sobre as demais classes. O Rei lhes cedia terras e estes lhe juravam ajuda militar (relações de suserania e vassalagem).

§ Os servos da gleba constituíam a maior parte da população camponesa: estavam presos à terra, sofriam intensa exploração, eram obrigados a prestarem serviços à nobreza e a pagar-lhes diversos tributos em troca da permissão de uso da terra e de proteção militar. Embora geralmente se considere que a vida dos camponeses fosse miserável, a palavra "escravo" seria imprópria. Para receberem direito à moradia nas terras de seus senhores, juravam-lhe fidelidade e trabalho. Por sua vez, os nobres, para obterem a posse do feudo faziam o mesmo juramento aos reis.

§ Os Vassalos oferecem ao senhor ou suserano, fidelidade e trabalho em troca de proteção e um lugar no sistema de produção. As redes de vassalagem estendiam-se por várias regiões, sendo o rei o suserano mais poderoso.

Economia e prosperidade

A produção feudal própria do Ocidente europeu tinha por base a economia agrária, de escassa circulação monetária, auto-suficiente. A propriedade feudal pertencia a uma camada privilegiada, composta pelos senhores feudais, altos dignitários da Igreja, (o clero) e longínquos descendentes dos chefes tribais germânicos. As estimativas de renda per capita da Europa feudal a colocam em um nível muito próximo ao mínimo de subsistência.

A principal unidade econômica de produção era o feudo, que se dividia em três partes distintas: a propriedade individual do senhor, chamada manso senhorial ou domínio, em cujo interior se erigia um castelo fortificado; o manso servil, que correspondia à porção de terras arrendadas aos camponeses e era dividido em lotes denominados tenências; e ainda o manso comunal, constituído por terras coletivas - pastos e bosques - , usadas tanto pelo senhor quanto pelos servos.

Devido ao caráter expropriador do sistema feudal, o servo não se sentia estimulado a aumentar a produção com inovações tecnológicas, uma vez que tudo que produzia de excedente era tomado pelo senhor. Por isso, o desenvolvimento técnico foi pequeno, limitando aumentos de produtividade. A principal técnica adaptada foi a de rotação trienal de culturas, que evitava o esgotamento do solo, mantendo a fertilidade da terra.

Para o economista anarco-capitalista Hans Hermann Hoppe, como os feudos são supostamente propriedade do Estado (neste caso, representado pelos senhores feudais), o feudalismo é, consequentemente, considerado por ele como sendo uma forma de manifestação socialista - o socialismo aristocrático (servismo).

Tributos e impostos da época

As principais obrigações dos servos consistiam em:

§ Corveia: trabalho compulsório nas terras do senhor em alguns dias da semana;

§ Talha: Parte da produção do servo que deveria ser entregue ao nobre

§ Banalidade: tributo cobrado pelo uso de instrumentos ou bens do feudo, como o moinho, o forno, o celeiro, as pontes;

§ Capitação: imposto pago por cada membro da família (por cabeça);

§ Tostão de Pedro ou dízimo: 10% da produção do servo era pago à Igreja, utilizado para a manutenção da capela local;

§ Censo: tributo que os vilões (pessoas livres, vila) deviam pagar, em dinheiro, para a nobreza;

§ Taxa de Justiça: os servos e os vilões deviam pagar para serem julgados no tribunal do nobre;

§ Formariage: quando o nobre resolvia se casar, todo servo era obrigado a pagar uma taxa para ajudar no casamento. Era também válida para quando um parente do nobre iria casar.

§ Mão Morta: Era o pagamento de uma taxa para permanecer no feudo da família servil, em caso do falecimento do pai ou da família.

§ Albermagem: Obrigação do servo em hospedar o senhor feudal.

Muitas cidades europeias da Idade Média tornaram-se livres das relações servis e do predomínio dos nobres. Essas cidades chamavam-se burgos. Por motivos políticos, os "burgueses" (habitantes dos burgos) recebiam frequentemente o apoio dos reis que, muitas vezes, estavam em conflito com os nobres. Na língua alemã, o ditado Stadtluft macht frei ("O ar da cidade liberta") ilustra este fenômeno. Em Bruges, por exemplo, conta-se que certa vez um servo escapou da comitiva do conde de Flandres e fugiu por entre a multidão. Ao tentar reagir, ordenando que perseguissem o fugitivo, o conde foi vaiado pelos "burgueses" e obrigado a sair da cidade. Desta maneira, o servo em questão tornou-se livre.

Ascensão e queda do sistema

O feudalismo europeu apresenta, portanto, fases bem diversas entre o século IX, quando os pequenos agricultores são impelidos a se proteger dos inimigos junto aos castelos, e oséculo XIII, quando o mundo feudal conhece seu apogeu, para declinar a seguir.

No século X, o sistema ainda está em formação e os laços feudais unem apenas os proprietários rurais e os antigos altos funcionários ou Ministeriais - administradores da propriedade feudal em nome de um senhor -, dos quais destacamos os Bailios (tomavam conta de uma propriedade menor) e os Senescais (supervisionavam os vários domínios de um mesmo senhor). Entre os camponeses existiam homens livres - os Vilões - com propriedades menores independentes. A monarquia feudal não apresenta a rigidez que caracterizaria o regime monárquico posteriormente e a ética feudal não está plenamente estabelecida.

Entretanto, a partir do ano 1000 até cerca de 1150, o Feudalismo entra em transformação: a exploração camponesa torna-se intensa, concentrada em certas regiões superpovoadas, deixando áreas extensas de espaços vazios; surgem novas técnicas de cultivo, novas formas de utilização dos animais e das carroças, o que permitiu a produção agrícola garantir um aumento significativo, surgindo, assim, a necessidade de comercialização dos produtos excedentes. Esse renascimento do comércio e o consequente aumento da circulação monetária, reabilita a importância social das cidades e suas comunas. Com as Cruzadas, esboça-se uma abertura para o mundo, quebrando-se o isolamento do feudo.

O restabelecimento do comércio com o Oriente Próximo e o desenvolvimento das grandes cidades, começam a minar as bases da organização feudal, na medida em que aumenta a demanda de produtos agrícolas para o abastecimento da população urbana. Isso eleva o preço dessas mercadorias, permitindo aos camponeses maiores fundos para a compra de sua liberdade. Não que os servos fossem escravos; com o excedente produzido, poderiam comprar de seus senhores lotes de terras e, assim, deixar de cumprir suas obrigações junto ao senhor feudal. É claro que esta situação poderia gerar problemas já que, bem ou mal, o servo vivia protegido dentro do feudo e, para evitá-los, tornavam-se comerciantes ou iam morar em burgos, dominados por outros tipos de senhores, desta vez, comerciais. Ao mesmo tempo, a expansão do comércio cria novas oportunidades de trabalho, atraindo os camponeses para as cidades.

Tais acontecimentos, aliados à formação dos exércitos profissionais — o Rei, agora, não dependeria mais dos serviços militares prestados por seus vassalos —, à insurreição camponesa, à peste, à falta de alimentos decorrente do aumento populacional e baixa produtividade agrária, contribuíram para o declínio do feudalismo europeu. Na França, nos Países Baixos e na Itália, seu desaparecimento começa a se manifestar no final do século XIII. Na Alemanha e na Inglaterra, entretanto, ele ainda permanece mais tempo, extinguindo-se totalmente na Europa ocidental por volta de 1500. Em partes da Europa central e oriental, porém, alguns remanescentes resistiram até meados do século XX, como, por exemplo, aRússia, que só viria a se libertar dos resquícios feudais com a Revolução de 1917.

Objetivos da ANED - Contato Entre Adeptos da Ed. Domiciliar

Encerrando nossa sequência de artigos sobre os objetivos básicos da ANED, trataremos, esta semana, da seguinte intensão da nossa associação: “Proporcionar o contato e a troca de informações/experiências entre os adeptos da educação domiciliar”.
Como relatei algumas semanas atrás, a cada semana conheço uma nova família que está aplicando educação domiciliar ou deseja fazê-lo em breve sem, contudo, ter notícias de outras pessoas que intentem o mesmo em nosso país.
De fato, sempre sou recebido com surpresa ao afirmar que existem diversos interessados nessa modalidade pelo Brasil. Em geral, as pessoas expressam o seguinte: “Puxa! Achei que nós fôssemos os únicos!”. Tenho ouvido muito essa frase nas últimas semanas – e creio que continuarei a ouvi-la por um bom tempo.
Se você, que está lendo este texto, até agora, considerava-se como sozinho ou único em sua escolha de instruir os filhos em casa, fico feliz em lhe dizer que está equivocado.
De acordo com minhas estimativas pessoais, hoje, no Brasil, há, pelo menos, por volta de400 famílias aplicando a educação domiciliar ou pretendendo começar logo.
Talvez você esteja se perguntando: “Mas, como isso é possível? Onde está toda essa gente? Por que nunca ouvi falar deles?”. A resposta é simples... Essas pessoas procuram não se expor para evitar problemas com denúncias – o que, imagino, também seja o seu caso. Uma vez que a maioria das pessoas interessadas no ensino doméstico tende a ser discreta e, muitas vezes, se esconder de olhos potencialmente contrários a essa prática, esse comportamento de esquiva leva cada um a, sem perceber, impedir o contato com outras pessoas que também sejam adeptas dessa modalidade.
De certa forma, a situação que vivemos em nosso país gerou uma armadilha astuta: para evitarmos problemas judiciais relacionados à nossa escolha educacional, nos privamos do contato com outras pessoas/famílias que possuem os mesmos objetivos que nós.
Com isso, estamos deixando de usufruir um tesouro de valor inimaginável! Afinal, em um país onde não há material didático, currículo, produção acadêmica significativa, nem qualquerhistória nacional especificamente relacionados à educação domiciliar, a troca de experiências pessoais se torna o caminho mais rápido e lógico para a construção de uma cultura de ensino no lar.
Entretanto, minha sugestão não é que cada um de vocês se exponha totalmente com o intuito de encontrar outros adeptos da educação domiciliar. DE FORMA ALGUMA!
Apesar dessa armadilha social ser incômoda e nos impedir de, com maior liberdade, encontrar pessoas que possuam objetivos em comum conosco, creio ser sábio não “estourarmos a gaiola” de forma precipitada, pois isso poderia gerar sérios problemas para nós e para outras famílias que ensinem em casa.
Então, qual seria o caminho mais sábio a trilhar para conseguirmos essa tão preciosa troca de informações/vivências?
Em partes já podemos ter isso através das redes sociais e grupos de discussão. Você pode encontrar links para alguns deles na coluna que fica do lado direito deste artigo.
Mas, além dessas possibilidades, creio que teremos algo bem mais concreto através da ANED. Uma vez que os associados não terão seus nomes expostos para terceiros, terão liberdade para se expressar sobre suas experiências, além de conseguir com muito mais facilidade encontrar outras pessoas que se interessem pela educação domiciliar.
Neste sentido, a ANED tem como objetivo fazer essa ponte entre famílias de todo o país que ensinem em casa, proporcionando soluções práticas e efetivas para que os adeptos do ensino doméstico formem uma grande verdadeira família nacional.
Um dos veículos que utilizaremos para isso será o site da ANED, que contará com um espaço restrito destinado somente para os associados. Nesse espaço, será possível receber informações e apoio para o ensino em casa, além de compartilhar com os demais associados quem é você e como tem sido sua experiência ao instruir os filhos em casa. Isso tudo sem medo de ser denunciado, uma vez que somente os associados (que também ensinam em casa) terão acesso a essa sessão.
Além disso, conforme a ANED for se fortalecendo e consolidando, iremos promover encontros regionais e nacionais nos quais as famílias que ensinam em casa poderão se conhecer e trocar experiências.
Quando isso começar a acontecer, muito provavelmente, você irá descobrir que há mais pessoas ensinando em casa na mesma região geográfica que você. Assim, além de não se sentir mais “sozinho”, você terá mais pessoas para manter contato e trocar ideias.
Talvez, em poucos anos, poderemos ter reuniões anuais ou semestrais em vários pontos do país reunindo inúmeras famílias que poderão se ajudar mutuamente – além de criar laços afetivos entre si.
Pode parecer um sonho difícil de se conquistar. Porém, é um de nossos objetivos – e lutaremos para alcançá-lo.

Cuidados na Ed. Domiciliar - Local de Estudo

Em termos bastante práticos, devemos ter um cuidado todo especial quando escolhemos e/ou organizamos um local específico de estudo para nossas crianças. Aergonomia educacional é algo que, apesar de parecer estritamente técnico, se constituiu como um grande potencializador do processo educativo.
Entretanto, antes de falarmos especificamente sobre os cuidados necessários ao se organizar o espaço educacional, cabe ressaltar que não estamos falando de um lugar que terá a exclusividade do conhecimento. Explico: o conhecimento está em toda parte, e pode ser adquirido em qualquer lugar. Toda criança está constantemente aprendendo, seja na rua, seja em casa, seja no parque, no campinho, no carro, etc. O conhecimento é inerente a todos os seres, objetos e espaços e, portanto, onde quer que a criança esteja, estará apta a apreender informações sobre e através desse local.
É importante que haja um espaço dentro de casa onde a criança terá o momento “oficial” de instrução. Isso é necessário para que o sujeitinho se organize e aprenda sobre os locais adequados para cada atividade. Porém, não podemos restringir o conhecimento/aprendizado a esse local. Devemos estar ensinando o tempo todo: na cozinha, na sala de estar, no banheiro, no jardim, etc. A vida e o cotidiano da criança deve ser uma grande aula que ocorre em diferentes espaços.
Feita essa ressalva, passo a considerar especificamente o “espaço oficial de aprendizado”.
Da mesma forma que uma rotina de estudos ensina uma criança a diferenciar os requisitos de diversos momentos do cotidiano, um espaço oficial de aprendizado ensina os pequeninos as diferentes necessidades de locais/espaços dedicados a atividades específicas.
É óbvio que há diversas formas de se organizar um lar, mas, em geral, os espaços existentes e suas funções são, minimamente, entendidos. Há um espaço para dormir, um espaço para comer, um espaço para fazer as necessidades, um espaço para realizar a higiene, etc. Muitas vezes, a um espaço é atribuída mais de uma função, enquanto a mesma função também pode ser atribuída a mais de um espaço. Entretanto, apesar das diferentes formas de organização, sempre há a atribuição de funções aos espaços.
Neste sentido, o local oficial de estudos torna-se mais um dentre os muitos espaços com função específica. É nesse local que a criança irá receber boa parte das instruções, fará pesquisas, exercitará seus conhecimentos, organizará seu material de estudo, etc. Quando precisar meditar, se concentrar, se aprofundar em conhecimentos, esse local será um refúgio, um porto seguro, um espaço do conhecimento onde a criança estará totalmente livre para mergulhar na aprendizagem.
Pode-se aprender na cozinha? Sim! E deve-se! Mas haverá momentos em que a criança deverá estudar em um local onde não haja barulho de louças sendo lavadas, nem cheiros deliciosos para distraí-la de suas tarefas.
Pode-se aprender na sala de estar? Sim! E isso é maravilhoso! Mas, muitas vezes, o sujeitinho precisará ficar longe da tentação da TV para poder se concentrar em algum problema a ser solucionado.
Pode-se aprender no quintal? É evidente! E esse é um espaço excepcional para se aprender muito! Entretanto, haverá situações em que os animais, as plantas e os sons intrigantes dos vizinhos poderão ser um atrapalho grande, interferindo negativamente mais do que positivamente.
Dessa forma, vemos que na diversidade de espaços há diversidade de aprendizado, mas que tudo deve ser dosado e planejado de tal forma que o remédio não se torne veneno pela utilização equivocada.
É interessante notar, inclusive, que crianças ensinadas em casa apontam o espaço oficial de estudo como um dos seus locais preferidos na casa (isso quando não é apontado como o local mais agradável). Deveras, acredito que isso ocorre porque esse é o espaço em que o estudante pode mergulhar profundamente no conhecimento. Não há distrações. Não há atividades diversas. Há somente um objetivo: conhecer. A diversidade de todos os outros espaços do mundo proporciona uma quantidade infinita de informações que serão mastigadas, digeridas e assimiladas ali: no espaço oficial de aprendizado.
Creio que poderíamos passar muito mais tempo falando sobre a importância desse espaço, mas passemos para questões mais práticas: como deve ser esse local?
Uma vez que o espaço oficial de estudos será o ponto de partida para disparar o mecanismo de aprendizagem, e sendo que nele a criança irá “brincar” com os conhecimentos, mexendo e remexendo neles, analisando, assimilando as informações e dando o pontapé inicial para o desenvolvimento de capacidades/competências, é necessário que ele seja escolhido e organizado com muito cuidado, considerando a forma mais eficiente de se potencializar o processo de ensino-aprendizagem.
Neste sentido, vejamos os principais cuidados que deve-se ter ao escolher/preparar um local:

  1. Escolha um lugar SILENCIOSO. Rádio e televisão podem ser ferramentas úteis em vários momentos do aprendizado infantil, entretanto, também podem ser indesejáveis quando se há a necessidade de concentração. Portanto, escolha para seu filho um local de estudo longe desses aparelhos. Evite também locais próximos a telefones e outros aparelhos que possam gerar ruídos (constantes ou súbitos). O silêncio ajuda a maioria das crianças a se concentrar melhor e, assim, assimilar de forma mais efetiva conteúdos mais complexos e/ou teóricos. Mas, ATENÇÃO! Se seu filho não consegue se concentrar sem algum som (como música, por exemplo), seja cuidadoso ao incluir isso nos estudos. Procure evitar músicas com muita variação no ritmo ou na letra, e ajude seu filho a se disciplinar a ouvir a música num som baixo. Caso haja mais de uma criança aprendendo no mesmo espaço, considere a possibilidade de utilizar fones de ouvido para o que gosta de som (mas evite fones intra-auriculares, pois são mais prejudiciais para a audição a longo prazo).

  1. Opte por um espaço BEM ILUMINADO. Uma boa iluminação, não somente evita problemas de visão, como ajuda o educando a ficar mais concentrado e alerta. Se possível, planeje bem o local e o horário de estudos para que seja aproveitada a luz natural. Entretanto, se isso não for possível, escolha um espaço com boa iluminação artificial e analise se não é necessária uma luminária sobre a escrivaninha/mesa para garantir uma boa visão.

  1. Garanta que o local seja BEM VENTILADO. Ar fresco ventilando o tempo todo ajuda a evitar o cansaço mental e o sono. Nunca deixe seu filho estudando em um quarto fechado ou abafado. Garanta que haja uma abertura pela qual o ar possa entrar, e uma outra pela qual ele possa sair. Caso o ar esteja muito seco, coloque uma vasilha com água próxima à escrivaninha/mesa. Se for necessário um ventilador, coloque-o em uma posição que faça o ar circular, mas sem atingir diretamente o espaço de estudos – isso pode fazer com que anotações “voem”, ou que a criança se distraia tendo que segurar páginas para que não virem com o vento.

  1. Ajude seu filho a manter o espaço ORGANIZADO. A organização e a limpeza do espaço em que se estuda são fundamentais. É imprescindível que haja facilidade para se encontrar cadernos, anotações, livros e atividades quando necessário. Por isso, após o período de estudo, a criança deve desenvolver o hábito de organizar o local para que esteja pronto para ser utilizado no próximo dia de estudos. Obviamente, isso será mais difícil com as crianças menores. Entretanto, os pais poderão ajudar esse sujeitinho a aprender como fazer isso e, com o tempo, se disciplinar a manter seu espaço limpo e organizado. Isso não somente ajudará para a potencialização dos estudos, como irá desenvolver uma competência inestimável para a criança, que a utilizará em diferentes momentos de sua vida.

  1. Organize o local de estudo de seu filho para que seja ESTETICAMENTE AGRADÁVEL. Um local oficial de estudos precisa ser prático, mas também deve ser bonito. Um espaço agradável e de boa aparência ajuda a criança a ter mais ânimo e desejo para estudar. Neste sentido, utilize “enfeites” que possam ser utilizados durante o ensino ou que não sejam tão chamativos que possam distrair a atenção do educando. Opte, também, por cores quentes (vermelho, laranja, amarelo), pois estas fazem com que a criança fique mais alerta – diferente das cores frias (azul, lilás), que relaxam e dão sono.

Além desses cuidados necessários para a escolha do local oficial de estudos, outro cuidado que deve-se ter é utilizar uma cadeira e uma mesa/escrivaninha adequadas para evitar a má postura. A cadeira deve ser confortável e manter a coluna reta. Escolha, também, uma mesa que seja compatível com a altura da criança, evitando que ela tenha que se debruçar para ler ou escrever. Os mesmos cuidados devem ser tomados quando o aluno domiciliar irá utilizar computador.
Creio que estas sejam as principais questões que deverão ser observadas quanto ao espaço oficial de aprendizado da criança. Porém, se for necessário, poderemos tratar mais desse assunto no futuro.
Espero que tenha sido útil, e aguardo os comentários de todos.

dicas de livros

Galera existe um livro muinto bom para quem quer aprender mais sobre história!!!

o livro é História da Riqueza do Homem
o livro fala sobre a história da moeda, como surgio o comericio,
tanto que o sublink é do feudalismo ao capitalismo.
Ta ae uma boa dica para vocês!!!!

um beijo para as mulheres e um abraço para os homens!!!

:)

O Poder Divino dos Reis

Na França

O direito divino dos reis foi defendido por Jean Bodin (1530-1596). Segundo este teórico político francês, influenciado pelo calvinismo, os príncipes soberanos (os reis) eram estabelecidos por Deus para governarem os outros homens. Jacques Bossuet defendeu esta teoria para fundamentar o absolutismo de Luís XIV de França, mas foi na Inglaterra protestante que a teoria do direito divino dos reis encontrou a sua mais completa aplicação e fundamentação teológica e jurídico-política, com o rei Jaime I (Tiago I) de Inglaterra.

Na Inglaterra

Na morte da Elizabeth I, em 1603, pois fim a dinastia Tudor. O sucessor da rainha foi Jaime I, rei da Escócia, filho de Maria Stuart. Jaime I fora católico por influência da mãe, mas tornara-se calvinista e puritano no trono da Escócia. Ao assumir a coroa de Inglaterra vai tornar-se anglicano e episcopaliano.

A rainha Isabel I impusera aos seus súbditos um juramento - Oath of Allegiance - em que se afirmava a sua absoluta supremacia temporal e espiritual. Em 1605, Jaime I altera o texto desse juramento, não negando expressamente ao Sumo Pontífice, ao então papa Paulo V, a qualidade de Vigário de Cristo em matéria espiritual, negando-se todavia a sua supremacia em assuntos temporais nos reinos cristãos e o direito de deposição dos monarcas heréticos. Para defender o novo texto de juramento, Jaime I mandou publicar uma Apologia, que foi dada à estampa em 14 de Fevereiro de 1608. Por ordem do Papa, o cardeal Roberto Belarmino publicou uma refutação, sob o pseudónimo de Mateus Torti, que era um dos seus secretários. O rei Jaime I decide responder, mandando retocar a sua Apologia e juntar-lhe um longo prefácio - Prefácio monitório (1609). Desta vez, o livro trazia a identificação do seu autor, o rei Jaime I. O cardeal Belarmino respondeu no ano seguinte, também com o próprio nome, mas o Papa resolve sondar Francisco Suárez, S. J., professor na Universidade de Coimbra, que três anos depois publica um extenso livro: Defensio fidei catholicae adversus anglicanae sectae errores..., Coimbra, 1613 (Defesa da fé católica contra os erros da seita anglicana).

Para o rei inglês, a sua autoridade régia era de "direito divino", pretendendo ter sido eleito pessoalmente por Deus para governar o seu povo. A sua realeza era absoluta, independente de qualquer poder ou autoridade da terra. O rei era assim uma espécie de lugar-tenente de Deus no seu reino, e só perante Deus teria que prestar contas do modo como exercera o seu poder.

A refutação de Suárez continha a doutrina católica, que se pode resumir do seguinte modo: o poder político dos reis não é recebido directamente de Deus; é o povo organizado em comunidade política que transmite o poder aos reis. O único poder que a Igreja Católica considera proveniente de Deus é o poder espiritual do Papa que, quando recebe as chaves deSão Pedro, não considera que as receba da própria Igreja, mas de Cristo. A Igreja Católica, por meio dos Cardeais eleitores, designa apenas a pessoa do sucessor de Pedro; no conceito católico, Cristo é quem lhe entrega o poder espiritual, não por um acto novo, mas em virtude do acto único em que as entregou a Pedro e a seus sucessores nas margens doLago de Tiberíades.

O livro de Francisco Suárez foi condenado e mandado queimar, tanto em Inglaterra como em França; em Inglaterra por ordem do Arcebispo de Cantuária; em França, por ordem do Parlamento de Paris.

Mais tarde, com a Revolução Gloriosa, a Inglaterra será a primeira a abandonar os princípios da doutrina do "direito divino dos reis" formulada pelo seu rei Jaime I, passando a colocar a autoridade do Rei na dependência e sob o escrutínio de um Parlamento (House of Commons), iniciando na Europa o período da chamada "moderna democracia representativa". A teoria do "direito divino dos reis" continuou, porém, a ter forte influência nas elites intelectuais e políticas de França até ao fim do "ancien régime". Em Portugal, os doutrinários regalistas adeptos do "direito divino dos reis", vieram também a ter decisiva influência no tempo do marquês de Pombal, quando os jesuítas foram expulsos.

O direito divino do monarca contradizia a doutrina da Igreja Católica - mesmo quando era defendido por príncipes como o Rei-Sol ou por primeiros-ministros como o marquês de Pombal - porque negava o papel daquela Igreja como intermediária espiritual entre o homem comum e Deus, conferindo esse atributo ao monarca. No protestantismo, o principal traço dos reis é o de se considerarem vigários (ou representantes, em inglês deputy) de Deus na Terra.

No final do século XIX, J. N. Figgis popularizou o conceito aplicando-o a respeito de todo o ancien régime através de um livro intitulado 'The divine right of kings' (O direito divino dos reis, 1896), confundindo mais do que esclarecendo.

Teorias do absolutismo

Em busca de bases ideológicas que conferissem legitimidade ao poder absoluto, os monarcas faziam derivar diretamente de Deus sua autoridade sobre os homens e as coisas incluídas nos limites de seus domínios. O direito divino concedia ao governante o poder temporal, enquanto o espiritual cabia ao papa. Cedo, porém, a expansão das tendências absolutistas levou o monarca a pretender também a direção suprema do movimento religioso nacional. A igreja, com interesses universais e uma política própria, tornou-se uma rival capaz de contestar e limitar o poder absoluto do soberano.

Ao procurar atingir as prerrogativas reais, a Reforma protestante contribuiu para fortalecer a tese do direito divino, dispensando a ação intermediária de Roma. Por sua vez, os governantes viram nas idéias da Reforma o veículo adequado para abolir a influência de Roma e assumir também o comando da vida espiritual de seus povos.

Paradoxalmente, o chamado "despotismo esclarecido" do século XVIII, em contestação frontal aos dogmas religiosos, não impedia aos monarcas reclamarem, mais que em qualquer outra época, origem divina para os poderes que se atribuíam. E o reinado de Luís XIV, que se estendeu do fim do século XVII ao princípio do XVIII, constitui o momento culminante do absolutismo.

As teorias do direito divino perderam definitivamente a força depois da revolução francesa e da independência dos Estados Unidos. Chegam, porém, até nossos dias os vestígios desse período, com os títulos e prerrogativas formais de certas monarquias, como a inglesa, em que o monarca é também chefe da igreja (anglicana) e exerce seus poderes "pela graça de Deus".
A monarquia absoluta fundamentou-se, no entanto, em argumentos de maior conteúdo racional que a origem divina. O chamado "pai do patriarcalismo", Sir Robert Filmer, sustentava na primeira metade do século XVII que o estado era a família, e o rei era o pai. A submissão à autoridade patriarcal era o veículo e a essência do dever político.

Seu contemporâneo, Thomas Hobbes, um dos mestres da filosofia política inglesa, argüía em sua obra De corpore político (1650; Do corpo político) que o homem só pode viver em paz, em sociedade, se concordar em se submeter ao poder político absoluto de um soberano.