Encerrando nossa sequência de artigos sobre os objetivos básicos da ANED, trataremos, esta semana, da seguinte intensão da nossa associação: “Proporcionar o contato e a troca de informações/experiências entre os adeptos da educação domiciliar”.
Como relatei algumas semanas atrás, a cada semana conheço uma nova família que está aplicando educação domiciliar ou deseja fazê-lo em breve sem, contudo, ter notícias de outras pessoas que intentem o mesmo em nosso país.
De fato, sempre sou recebido com surpresa ao afirmar que existem diversos interessados nessa modalidade pelo Brasil. Em geral, as pessoas expressam o seguinte: “Puxa! Achei que nós fôssemos os únicos!”. Tenho ouvido muito essa frase nas últimas semanas – e creio que continuarei a ouvi-la por um bom tempo.
Se você, que está lendo este texto, até agora, considerava-se como sozinho ou único em sua escolha de instruir os filhos em casa, fico feliz em lhe dizer que está equivocado.
De acordo com minhas estimativas pessoais, hoje, no Brasil, há, pelo menos, por volta de400 famílias aplicando a educação domiciliar ou pretendendo começar logo.
Talvez você esteja se perguntando: “Mas, como isso é possível? Onde está toda essa gente? Por que nunca ouvi falar deles?”. A resposta é simples... Essas pessoas procuram não se expor para evitar problemas com denúncias – o que, imagino, também seja o seu caso. Uma vez que a maioria das pessoas interessadas no ensino doméstico tende a ser discreta e, muitas vezes, se esconder de olhos potencialmente contrários a essa prática, esse comportamento de esquiva leva cada um a, sem perceber, impedir o contato com outras pessoas que também sejam adeptas dessa modalidade.
De certa forma, a situação que vivemos em nosso país gerou uma armadilha astuta: para evitarmos problemas judiciais relacionados à nossa escolha educacional, nos privamos do contato com outras pessoas/famílias que possuem os mesmos objetivos que nós.
Com isso, estamos deixando de usufruir um tesouro de valor inimaginável! Afinal, em um país onde não há material didático, currículo, produção acadêmica significativa, nem qualquerhistória nacional especificamente relacionados à educação domiciliar, a troca de experiências pessoais se torna o caminho mais rápido e lógico para a construção de uma cultura de ensino no lar.
Entretanto, minha sugestão não é que cada um de vocês se exponha totalmente com o intuito de encontrar outros adeptos da educação domiciliar. DE FORMA ALGUMA!
Apesar dessa armadilha social ser incômoda e nos impedir de, com maior liberdade, encontrar pessoas que possuam objetivos em comum conosco, creio ser sábio não “estourarmos a gaiola” de forma precipitada, pois isso poderia gerar sérios problemas para nós e para outras famílias que ensinem em casa.
Então, qual seria o caminho mais sábio a trilhar para conseguirmos essa tão preciosa troca de informações/vivências?
Em partes já podemos ter isso através das redes sociais e grupos de discussão. Você pode encontrar links para alguns deles na coluna que fica do lado direito deste artigo.
Mas, além dessas possibilidades, creio que teremos algo bem mais concreto através da ANED. Uma vez que os associados não terão seus nomes expostos para terceiros, terão liberdade para se expressar sobre suas experiências, além de conseguir com muito mais facilidade encontrar outras pessoas que se interessem pela educação domiciliar.
Neste sentido, a ANED tem como objetivo fazer essa ponte entre famílias de todo o país que ensinem em casa, proporcionando soluções práticas e efetivas para que os adeptos do ensino doméstico formem uma grande verdadeira família nacional.
Um dos veículos que utilizaremos para isso será o site da ANED, que contará com um espaço restrito destinado somente para os associados. Nesse espaço, será possível receber informações e apoio para o ensino em casa, além de compartilhar com os demais associados quem é você e como tem sido sua experiência ao instruir os filhos em casa. Isso tudo sem medo de ser denunciado, uma vez que somente os associados (que também ensinam em casa) terão acesso a essa sessão.
Além disso, conforme a ANED for se fortalecendo e consolidando, iremos promover encontros regionais e nacionais nos quais as famílias que ensinam em casa poderão se conhecer e trocar experiências.
Quando isso começar a acontecer, muito provavelmente, você irá descobrir que há mais pessoas ensinando em casa na mesma região geográfica que você. Assim, além de não se sentir mais “sozinho”, você terá mais pessoas para manter contato e trocar ideias.
Talvez, em poucos anos, poderemos ter reuniões anuais ou semestrais em vários pontos do país reunindo inúmeras famílias que poderão se ajudar mutuamente – além de criar laços afetivos entre si.
Pode parecer um sonho difícil de se conquistar. Porém, é um de nossos objetivos – e lutaremos para alcançá-lo.
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